Biodiversidade garante dianteira

User Rating: 4 / 5

Star ActiveStar ActiveStar ActiveStar ActiveStar Inactive
 

Água, solo e conhecimento dão ao Brasil condições de ser líder global na bioeconomia se houver segurança jurídica, pesquisa e mão de obra qualificada. A biodiversidade pode tornar o Brasil uma referência global na bioeconomia, em que a engenharia metabólica e a biologia sintética convergem para transformar produtos, a indústria e os negócios em uma estratégia de crescimento que prioriza a sustentabilidade. No entanto a falta de segurança jurídica, de apoio à pesquisa e de mão de obra qualificada ainda são barreiras ao desenvolvimento da bioeconomia no país. Essas conclusões fazem parte da pesquisa apresentada no 3º Fórum de Bioeconomia - Políticas públicas e Ambiente parwa inovação e Negócios no Brasil, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com Harvard Busines Review Brasil.

A pesquisa tem por objetivo ajudar a compor o quadro atual da bioeconomia no Brasil, tema que a CNI vem discutindo desde o primeiro fórum em 2012, realizado em resposta ao desejo da indústria de avançar nesse caminho. Naquele ano, a CNI, a Mobilização Empresarial paras a Inovação (MEI) e HBR trouxeram para o 1º fórum dois especialistas da Escola de Economia de Harvard, Juan Henriquez e Rodrigo Martinez, que cunharam o termo bioeconomia.

No ano passado, como resultado da mobilização da indústria, da academia e do governo, as discussões evoluíram para a elaboração de uma agenda para a bioeconomia no Brasil, que identifica os principais gargalos existentes no país e aponta caminhos e soluções. O tema acabou fazendo parte das 42 propostas para melhoria do ambiente de negócios no país, apresentadas pela CNI em 2014 aos dois candidatos ao segundo turno das eleições presidenciais.

A bioeconomia foi o único tema setorial entre 42 propostas entregues aos candidatos à presidência, em que predominaram as questões horizontais como infraestrutura e trabalho. Dois motivos justificaram a inclusão da bioeconomia entre as propostas, um deles é o fato de o Brasil ter vantagens na área, ligadas à disponibilidade de solo e água e conhecimento do tema. A segunda é a influência da bioeconomia em vários setores, da indústria de alimentos à farmacêutica, energia e química. A bioeconomia tem impacto amplo e oferece ao Brasil a oportunidade de elaborar uma política industrial do século 21, diferente do que existe até agora, e fazer um trabalho assentado de vantagens comparativas estáticas e dinâmicas, associadas à combinação da ciência com tecnologia. A mudança das nações em direito à bioeconomia impacta em vários aspectos o governo, a sociedade, ambiente e a economia, ao adotar essa estratégia , o país declara a intenção de coordenar a melhoria as atividades que envolvem a preservação da biodiversidade, a qualidade dos alimentos e a mitigação do impacto das mudanças climáticas, com tecnologias de baixo carbono, que reduzam as emissões de gazes. Ela é uma oportunidade para revolucionarmos a maneira como vivemos, consumimos e nos relacionamos. A pesquisa realizada no 3º fórum quantifica e ilustra os temas da agenda da bioeconomia, ao mesmo tempo que reforça suas propostas. Ela registrou um paradoxo, 81,5% dos entrevistados afirmam que o Brasil tem vantagens no cenário internacional no que diz respeito à bioeconomia. e em outra pesquisa 92,3% afirmaram que têm desvantagens. Além disso, 91,9% afirmaram que o país tem potencial para se tornar referência em bioeconomia no mundo, mas 76% avaliam que não está tirando proveito disso. " Há algo errado nisso e é nesse gap que temos que trabalhar".

Bernardo Gradin, representante da MEI-CNI e presidente da GranBio, empresa de biotecnologia que transforma biomassa em produtos renováveis, como biocombustíveis e bioquímicos, que apresentou a pesquisa no 3º fórum de bioeconomia, informou que os representantes da academia entrevistados são os que avaliam que o Brasil tem mais vantagens (88,9%), depois vêm os representantes do Legislativo e do Executivo, com 83%; e as empresas, com 78,9%. Entre as principais vantagens do Brasil no cenário global da bioeconomia, a biodiversidade e os recursos naturais fiam em primeiro plano como diferenciais. Em seguida, os entrevistados relacionaram o corpo científico qualificado e a dimensão territorial, vindo na sequência o desenvolvimento do biocombustível.

A biodiversidade foi o diferencial do Brasil. Na bioeconomia, a biodiversidade é um ativo fundamental. " Assim como os minerais, os recursos biológicos devem ser usados conforme a demanda do mercado. a biodiversidade tem sido, ao longo do tempo, matéria-prima para setores industriais de construção, energia, saúde, limpeza e cosméticos. O Brasil está em posição privilegiada nessa área por ser considerada a nação de maior biodiversidade do planeta. Mas ser rico em biodiversidade é apenas vantagem comparativas inicial, pois qualquer nação pode ter legalmente acesso a recursos biológicos e cultivá-los em seu território. A capacidade tecnológica empresarial de transformar o recurso da biodiversidade em produtos inovadores, de valor de mercado, é o que realmente faz a diferença. Por isso é particularmente crítico para o país se inserir na era da bioeconomia. Muito do que se produz aqui com ênfase no agronegócio e na energia já estão sendo alterado pelas novas ciências, principalmente pela biologia molecular. O rápido avanço da tecnologia vai influenciar a competitividade e as exportações brasileiras e caracterizar o século 21. Os novos atores globais da tecnologia serão os países que vão aplicar com inteligência esses conhecimentos. As principais desvantagens relacionadas são o marco regulatório, a burocracia, a falta de mão de obra capacitada e a ausência de incentivo governamental e de investimento. A inadequação do marco regulatório para o desenvolvimento da bioeconomia é o problema citado por 65% dos entrevistados. Outra faceta da mesma questão é a preocupação com o impacto negativo da insegurança jurídica no desenvolvimento da bioeconomia no Brasil. As questões regulatórias merecem um capítulo à parte na pesquisa, que buscou também registrar a avaliação que os entrevistados têm da Medida Provisória (MP) da Biodiversidade, da Lei de Biossegurança, da Lei de Propriedade Industrial, da Lei de Inovação e da Lei do Bem.

A solução das deficiências regulatórias depende apenas do "uso do capital político do regulador". a falta de linha de apoio à pesquisa é também um empecilho ao desenvolvimento da bioeconomia para 77,5% dos entrevistados, já o representados do Executivo e do Legislativo são mais severos neste ponto (85%) do que as empresas (76%). Em relação aos incentivos fiscais, 92,5% dos entrevistados afirmam que existem, o percentual que chega a 97% dos empresários. A falta de mão de obra qualificada foi destacada por 55,6% dos entrevistados como outro problema para o desenvolvimento da biotecnologia. A indústria brasileira não é vista como inovadora, a inovação no Brasil está muito ligada à ideia de preservação ambiental, mas o conceito começa a ser ampliado com a inclusão do reaproveitamento de recursos naturais e da sustentabilidade das cadeias produtivas, o que, aumenta o desafio da MEI. O marco regulatório brasileiro ainda não favorece a agilidade da inovação. Em outros países há um "fast track" para a aprovação do direito de propriedade, concessão de lideranças ambientais e incentivo ao pioneirismo. Sair da escala de laboratório para a escala industrial requer agilidade e incentivos certos para uma indústria nascente, como direito à propriedade intelectual, que proteja quem desenvolveu a tecnologia, estimule a cooperação internacional e dê vantagem frente a outros países. A conclusão da pesquisa, é de uma imagem ainda por fazer: o Brasil tem um grande potencial, mas tem entraves sobretudo no campo regulatório. A MEI busca estimular a inovação e aproximar o mundo acadêmico da indústria com o objetivo de aplicar a ciência em escala industrial.A indústria brasileira tem potencial para desenvolver o que chama de indústria nova, com liderança na agroindústria, abundância de sol, água, biodiversidade, aplicando engenharia metabólica, biologia sintética. Fomentar a pesquisa na área biológica é essencial para novos conhecimentos que sejam gerados no Brasil, para direcionar corretamente o desenvolvimento de setores empresariais estratégicos como a agroindústria, indústria da saúde, farmacêutica, química e de biocombustíveis. A dimensão global e social que a bioeconomia pretende atingir requer também cooperação internacional, pois somente o intercâmbio facilitado permitirá integrar o Brasil no conhecimento tecnológico e científico e nas melhores práticas existentes.

Fonte - Revista Harvard Business Review

Finance365 Partner Family

Finance365 brings to the market a new mindset on Governance and Business Management. Our goal is to present to clients how to increase their profits through good practices in Corporate Governance, with sustainable growth.

Specialized Service

Miramar, Flórida, USA

Alphaville - Barueri

Email: contato@finance365.net.br

Fax: +55 11 2680-5094

Webistewww.finance365.net.br

Depositions


"We were positively surprised by the quality of the answers, it's worth it!"
Cleber Oliveira - Advanced Consultores
"Leave your comments on the use of our application."
Administração - Gestão Canal da Governança
"Governance is supporting us to see the business otherwise, more rational and objective."
Moacir F Teixeira - ECOAGRO