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Desafios do Brasil para os próximos anos

 

 

 

 

Após um ano turbulento do ponto de vista político e econômico, e diante de um país em crise, a administração profissional está no centro das questões e ela é condição sine qua non para o desenvolvimento do País. É sabido que falta gestão em todos os níveis e que o tecido econômico está intimamente ligado às empresas estruturadas e produtivas. Sem ela as organizações públicas e privadas navegam em um mar de incertezas e imprecisões, como estamos vendo agora. Sem dúvida continuaremos a enfrentar desafios em 2016, com redução de investimentos, mercado de trabalho desaquecido e crise institucional tanto em empresas públicas quanto privadas. Muito se debate internamente sobre a crise política e econômica pela qual o Brasil está passando, mas nem sempre é possível entender a visão de quem está de fora sobre o cenário atual do país.

O economista norte-americano Paul Krugman, prêmio Nobel de 2008 e colunista do New York Times, fez um estudo sobre as perspectivas da economia brasileira, intitulado " A Nova Ordem Econômica Mundial: as forças que estão determinando o futuro da economia global e as implicações para o Brasil".

De acordo com ele, a crise vivida hoje é fruto de uma combinação de fatores. Um deles é a entrada precipitada no BRICs, grupo político de cooperação do qual participam Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Krugman afirma que o Brasil, embora promissor, não demonstrava índices que apontassem um crescimento da produtividade. "O Brasil não tinha nada de errado. Mas também nada que indicasse que seria a próxima Coreia do Sul. Aí é encaixado em um termo muito interessante. O mercado por um bom tempo gostou, isso trouxe muito investimento, muita gente para cá, só que veio a crise forte mundial, a queda do preço das commodities, o enfraquecimento do país no mercado de capitais e um governo que já vinha tropeçando em anos anteriores à crise e portanto tem menos credibilidade do que tinha antes". Outro fator bastante destacado, foi o fato de o Brasil não possuir um histórico positivo. Os seguidos problemas com a inflação, assim como políticas fiscais confusas e conturbadas fazem com que o mercado duvide que o país possa melhorar em curto e médio prazo. O governo atual tem problemas específicos. Acusações de gastos descontrolados, corrupção, tudo isso diminui a credibilidade e é complicado manter uma boa perspectiva. Ele disse que o Brasil embora muitas vezes se comporte como se estivesse em uma situação tão ruim quanto a Grécia, não enfrenta uma realidade tão conturbada como o país europeu. Vimos na Grécia o aumento instantâneo das taxas de juros quando houve a perda de confiança, as políticas de austeridade forma muito rígidas e criou-se um choque que se transformou numa catástrofe. O Brasil não está em uma situação tão grave, mas segue na mesma direção. O clima de pânico faz com que o governo exagere nas políticas fiscais e monetárias, o que atrapalha a recuperação.

No entanto, Krugman acredita que o Brasil não deve se deixar vencer pelo pessimismo e que a recuperação inevitavelmente virá. A economia brasileira tem fundamentos mais fortes do que pintam os comentários. Além disso, a dívida externa é menor do que em momentos passados e os problemas fiscais, embora sérios, tem resoluções e caminhos concretos de mudança. Outro fator que ele considera determinante para alavancar o país é o empreendedorismo brasileiro. Ele acredita que veremos daqui a dois anos que os riscos de hoje estão exagerados, vamos ver a inflação cair e, por consequência, os juros. Sem a pressão dos juros, a economia começará melhorar, o que ajudará na situação orçamentária. Ele faz questão de lembrar que somente o trabalho duro e sério colocará o Brasil novamente nos trilhos e pintou um cenário não tão otimista quanto nas declarações anteriores. O Brasil não vai regressar facilmente a sua era de ouro e não há indícios de que, em 2025, por exemplo, o país esteja saindo do subdesenvolvimento econômico. É claro que nós ainda queremos ver o Brasil parecido com a Coreia do Sul, mas ainda não há nenhum sinal de que está caminhando nessa direção.

Krugman fez uma comparação inusitada, ao dizer que o Canadá passa por situação semelhante à do Brasil, por conta das quedas sucessivas no preço das commodities e das matérias-primas. A queda quase levou a economia do Canadá a ficar estagnada. O dólar canadense caiu, a população está se sentindo mais pobre em comparação com os americanos e a insatisfação resultou na derrota do governo nas últimas eleições. O economista lembrou do problemático histórico brasileiro. De acordo com ele, por conta da trajetória dos países, a perspectiva de como cada um vai reagir é diferente. Ninguém espera uma catástrofe no Canadá. Lá não houve esse pânico que houve aqui. O governo aumentou algumas taxas, mas não elevou juros e até propõe aumentar as despesas para estimular as empresas a investirem em infraestrutura. Eles se sentem capazes de se sentirem relaxados. O problema aqui no Brasil é que a história não está do nosso lado.

Fonte: Revista Administrador

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